segunda-feira, 10 de novembro de 2008

GÊNEROS MUSICAIS SÃO NECESSÁRIOS

Todas ou a maioria das músicas se encaixam dentro de um gênero musical ou cria ou recria outro. Os gêneros servem para delimitar o que cada música deve fazer para pertencer a ele e, em casos, para delimitar o perfil das pessoas que farão e escutarão essas músicas. Há quem defenda a abolição dos gêneros; particularmente, eles são necessários.

É um lugar-comum dar o seguinte exemplo, mas, esclarece bem: gêneros são como as pessoas - existem brancas, negras, mamelucas, índias, mestiças, etc. Todas as etnias existem por um motivo genético e/ ou ambiental e suas existências são necessárias para de certa forma, dentre tantas coisas, equilibrarem-se e mesclarem-se. Com os gêneros acontece da mesma forma. A diversidade genérica deve existir para que as pessoas escolham suas preferências ou mesclem gêneros para comportar seus desejos ou necessidades musicais.

Nas etnias, não se pode definir que uma é melhor que a outra apenas pela aparência delas, nem tampouco por seus ideais – pois ideais são mutáveis e cada pessoa tem modos de pensar e agir referentes apenas à sociedade ou o grupo social em que está encaixada. Da mesma forma, cada gênero é “pintado” de uma forma e é esta pintura que o faz um gênero; as idéias pregadas nas músicas ou defendidas por artistas desses gêneros são de momento, são mutáveis e não conseguem defini-lo. O que caracteriza, por exemplo, o Samba e o Forró é o compasso musical que incita à dança; o gênero Rock é a melodia de sons pesados; o Lírico e o Gregoriano é pelo modo de se cantar. Há também definições por instrumentos, que são o caso do Forró (sanfona, zabumba e triângulo), do Rock (guitarra, bateria, baixo), de alguns gêneros latinos dos Andes (instrumentos de sopro), da música clássica em geral (violino, violoncelo, piano)... Nenhum deles deve se sustentar por idéias, caso contrário, “implodir-se-á”.

Um exemplo disto é o Rock: começou na década de 50 com músicas para adolescentes frenéticas; no final dos anos 50 para os 60, tornou-se uma mescla do “iê-iê-iê” adolescente com algumas críticas à sociedade; nos anos que se seguiram, o senso crítico foi mais valorizado pelos roqueiros e foi defendido como o fator que define este gênero - isto até antes do fim dos anos 80. Todavia, tomando o exemplo do Rock brasileiro, após o impeachment do presidente Collor de Melo e a instauração de certa estabilidade no país, o Rock nacional começou a se preocupar com assuntos ditos menos críticos. Quem se baseou ou se baseia no Rock do senso crítico, hoje diz que este perdeu a ideologia e o sentido da existência. Contudo, atentou-se para o fato de que os instrumentos ainda são os mesmos desde Elvis Presley?

Como exemplo de um gênero que está perdendo o formato, tem-se o Forró. Com muitas facções dentro do gênero, ao contrário do Rock, o Forró está perdendo aquilo que o compõe. Como não há estilo de cantar definido, nem outro fator que o defira, resta-lhe a zabumba, o triângulo, a sanfona e o compasso musical para defini-lo, mas, estes estão sendo substituídos ou ofuscados por outros, fazendo com que o verdadeiro Forró não prossiga. A proliferação de bandas do chamado Forró Estilizado está causando a morte da essência do Forró de verdade. Creio que esses miolos-moles, integrantes dessas bandas, preferem utilizar um gênero conhecido mundialmente para tornarem-se famosos a admitirem que inventaram um gênero novo. Entretanto, até a admissão do Forró Estilizado como gênero é, ao menos, um equívoco: nas bandas desse “negócio”, usam os instrumentos musicais, aspectos de gêneros, danças e tudo mais que estiver na moda; ou seja, nada que os caracterize.

Evidentemente, assim como mesclar etnias é importante para a diversidade populacional e, de certo modo, a diminuição do preconceito, mesclar aspectos de gêneros musicais é importante para o aumento da diversidade cultural de um povo e a diminuição do preconceito musical. Todavia, há que se definir algo que defira de verdade o novo gênero para que os artistas se encaixem e encaixem suas músicas nele.

10 comentários:

  1. H, eu queria comentar nesse texto, mas esse sacana já falou foi tudo, o que eu tenho mais a dizer? Que as diferentes percepções musicais são parte da História da Música e se fizeram sempre necessárias? Porra, ele já disse isso, já disse tudo!

    Massa, Jael!

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  2. Definir gênero é bem complicado, é quase a mesma coisa que responder de forma coerente e embasada aquela pergunta do orkut "Quem sou eu?", não é tarefa das mais fáceis.
    As influências são múltiplas e existe uma constante interação entre gêneros, essa questão é bastante subjetiva, quando se produz qualquer tipo de música sempre vai haver influência de outros gêneros que sequer percebemos, portanto, exigir a pureza de determinado gênero é algo quase que ingênuo de nossa parte, o "forró de verdade" que vc fala é fruto da interação de outros gêneros, concordo que o forró que é feito hoje em dia é diferente do forró de Luiz Gonzaga, mas cada um representa um período histórico, não se pode exigir que haja uma estagnação na música, o próprio Luiz Gonzaga utilizava em seus shows guitarra, baixo e bateria, nem por isso deixou de ser o rei do baião para ser o rei do rock...

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  3. Opa, Magno! Prazer em vê-lo pelas adjacências do meu blog, hehehe...

    Bem, vamos lá. Você tem toda razão em dizer que as mutações ocorrem com o tempo. Sei que o Forró de Luiz Gonzaga é produto de um gênero em constante movimento, mas, o que ocorre é que a essência não mudou tanto - o que o faz Forró "de verdade".

    O problema do "Forró Estilizado" é que não se define. Faz o que está na moda. Tomemos o Forró do grupo Fala Mansa: ele, apesar de ser realmente estilizado, não perdeu a essência... É disso que falo. Mudar sem perder a essência, senão, se transforma em outro gênero. E, no caso dos chamados Forrós Estilizados, como Calcinha Preta, há uma mudança (eterna) que nunca acaba e que não define gênero algum, pois, como eu disse, vai pela moda.

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  4. ...Em relação ao exemplo do rock, penso um pouco diferente, acho que o rock em seu início foi um pouco mais que música para jovens eufóricos, representou o nascimento da juventude, foi algo bem revolucionário, mais uma vez entra a questão do contexto histórico, logo após o nascimento, a mensagem inicial do rock foi captada e reproduzida de diversas maneiras, inclusive de forma a deturpar a mensagem inicial, portanto, ao contrário do que diz seu texto, acho que a música se define não só pelos instrumentos usados, mas, sobretudo, pela ideologia que carrega. Por uma questão de lógica, se seu ponto de vista estiver certo, os atuais forrozeiros podem continuar fazendo músicas com letras apelativas desde que estejam usando zabumba, triângulo e sanfona.

    P.S.:Oi Jael, passei por aqui pra aguniar o teu juízo visse.
    Tô sempre lendo teus blogs e de vez em quando a gente vai dar umas arengada dessas.
    flw

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  5. Kkkkkkk... Nem ligue. É sempre bom conversar civilizadamente sobre música.

    Ah, e sobre o Forró, se fosse só a apelação nas letras e continuasse com os instrumentos "primordiais", seria Forró "de verdade".

    E, Rock, como já lhe disse até na sala, hehehe, se for se basear em ideologias, cai por terra, porque se basear em coisas que não se pode fixar não está com nada - pelo menos é o que eu percebo, hehehe... E, sim, acho que o Rock começou com adolescentes frenéticas(os), kkkkk...

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  6. Ah, e sobre a revolução que o Rock representou, você está certo. Praticamente, os adolescentes não tinham com o que se contentar ou se expressar musicalmente. O Rock foi uma sacada e tanto! =)

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  7. Nada disso, Jael tah errado mermo, kkkkkkkkkkkkkkkkk! o BOM É ESCUTAR CRÉU(POW EU DEVERIA SER CRUCIFICADO PELO QUE DISSE AGORA)!

    (Johnny)!

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  8. olha eu tava procurando uma coisa para o meu trabalho e vc sfik tirando onda ne pow ....
    coloca coisa q preste....

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  9. nao tem nada ai pro meu trabalho

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  10. gostei do testo eh bem complicado se definir um genero, mas poderia ser mais claro porque nao da de entender direito

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Agradeço, desde logo, o seu comentário ao texto ou o começo de um diálogo produtivo.

Jael Soares.