Um cantor ou uma cantora intérprete, como a denominação já diz, interpreta a música: fica triste, feliz, com angústia, com tédio, com cansaço; enfim, atua ao cantar. E a atuação não acontece apenas pelo modo de cantar as palavras, mas, mais ainda, pela postura que o artista toma em apresentações em público.
Deste modo, o artista está vulnerável, pois não pode se esconder por trás de aparelhos sonoros e, logo, não pode se ater a apenas interpretações vocais. Em áudios gravados em estúdio, pode-se perceber que o artista é um intérprete pelo modo de ele cantar a letra da música, como já foi dito, mas averigua-se mais veemente com o modo como se porta em público e transmite a mensagem da música para este público. Tome-se como exemplo duas versões para a música “Atrás da porta” de Francis Himme e Chico Buarque nas vozes de Elis Regina e Sandy Lima. Esta canta a música afinadamente, mas não atua de acordo com a letra da música; como uma mulher que acabou de ser rejeitada. Entretanto, aquela, além de afinada, descabela-se, fica triste e ofegante, altera-se, em momentos treme a voz (o que dá para se entender por causa da interpretação), enfim, impõe os sentimentos à voz e ao corpo. Pode-se até chorar com a música na voz de Sandy e nem ligar para a interpretação e voz de Elis, mas esta é a interprete entre as duas.
Sandy Lima:
Elis Regina:
Há também uma confusão com novos arranjos. Você pode pensar que, porque o artista refez o arranjo de uma música e cantou-a diferentemente da versão original, já é um intérprete, porém, apesar de poder fazer parte de uma nova interpretação, a mudança do arranjo musical não representará nada se o artista não souber interpretar o texto da música. O modo como Sandy cantou no outro vídeo não se caracteriza como uma versão, já que a mesma cantou como no arranjo de Elis, porém, nos exemplos abaixo, têm-se duas versões e interpretações para ilustrar: uma de Belchior e a outra de, novamente, Elis Regina para a música “Como nossos pais”.
Belchior (versão original):
Elis Regina:
Outra confusão bastante comum acontece quando se diz que uma pessoa de voz forte e/ ou maleável é uma intérprete. Ana Carolina é um modelo disto: ela pode interpretar algumas músicas ou pode parecer que interpreta ao apenas ser ouvida, mas, por exemplo, em apresentações ao vivo, ela abre um sorriso aberto quando necessita de semblante triste. Outra coisa que, momentaneamente, ajuda-a a parecer uma intérprete é que muitas músicas de Ana são bem íntimas dela e isso a deixa livre para pôr emoção, mas isto não é, essencialmente, ser uma intérprete; uma intérprete faz de qualquer história a sua.
Portanto, discernir o que é apenas afinação, um rostinho bonito, uma pessoa vestida com roupas que lembram o Brasil ou com cores que lembram-no, ou um considerado intérprete musical por meio de formadores de opinião é saber interpretar os (ditos) “interpretes”...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
INTERPRETE OS "INTÉRPRETES"
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Sob meu pontinho de vista>>
ResponderExcluirResumo do texto: Belchior e Elis Regina: experiências clássicas de interpretação. Sandy Lima: vamos ver se melhora a presença.
Curiosidade minha: é muito interessante mesmo a interpretação, lembro de Gil Gilberto, que fica lá quietinho na dele tocando o violão sentado no banquinho mas passa mais emoção com sua presença do que muito marmanjo destrambelhado por aí.
Pois é... A interpretação faz toda a diferença. E eu também espero que Sandy melhore a presença, hehehehe.
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